O pequeno Champion é educado pela avó, Madame Souza, para vir a ser um grande ciclista. Mas um dia, anos mais tarde, Champion, que está a participar no celebérrimo Tour de France, é raptado por dois misteriosos homens vestidos de negro. A avó e o fiel cão Bruno partem então à sua procura, numa viagem que os leva até Belleville, onde encontram as "triplettes", excêntricas estrelas do "music-hall" dos anos 30, que decidem ajudá-los. Na última edição dos Óscares, o filme foi nomeado nas categorias de Melhor Filme de Animação e Melhor Canção Original.PUBLICO.PT
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prémios e distinções
ÓSCARES 2004 (nomeações)Melhor Filme de Animação (Sylvain Chomet) Canção ("Belleville Rendez-vous", música de Benoit Charest, letra de Sylvain Chomet)
Primeiro que tudo, há que destacar a imaginação transbordante de um traço que evoca a banda desenhada franco-belga-canadiana com um humor que não ilude um imenso amor pelas personagens-bonecos: o cão que ladra aos comboios; a velha avó portuguesa de bigode (um verdadeiro ovo de Colombo), com a toalha de galos de Barcelos e o uso paródico e sentimental de "Uma Casa Portuguesa", esse mimo de "kitsch" nacional; o ciclista que convoca os anos 50 de forma documental e transfiguradora; as "triplettes" a citar resquícios do "music-hall" dos anos 20, com Josephine Baker como referente, E depois, há uma alegria de filmar e de animar que contagia com um ritmo imparável e uma inteligência sem limites. Até a evocação de uma Nova Iorque cruzada com Montréal revigora as representações da Metropolis de modo original e produtivo. Um dos grandes filmes do ano de animação, e não só...
O cão ladra e o comboio passa. Uma avó atarracada, carrapito ao alto, exibe os tímidos pêlos de um buço. Fica como um espelho da imagem que os portugueses levaram ao mundo. Só quem não notou o galo de Barcelos estampado na toalha de mesa ou o prato onde se lê "Fátima Maria" (detalhe, detalhe) ficará espantado quando, lá mais para a frente, Madame Souza ataca o piano para cantar, tcham-tcham, "Uma Casa Portuguesa".
Não, de facto não é um filme para crianças, mas nem todos os filmes de animação o são. O desenho está muito bom, cheio de pequenos pormenores e de cores quentes que nos levam ao ambiente. Desde o exagero dos navios aos músculos dos ciclistas, uma das trigémeas que apanha rãs... E é óbvio, os eleitos: o bigode de madame Souza, Bruno, o pobre animal que dia após dia continua a ladrar aos comboios...