Sacha Baron Cohen, criador de Borat e Ali G, regressa agora com "Bruno", o seu novo filme-choque, seguindo a mesma linha de "mockumentary" (falso documentário) e decidido a apanhar todas as incongruências e desvarios dos americanos desprevenidos. Bruno é um repórter de moda austríaco, homossexual, inconveniente, aparvalhado e muito controverso que decide ir em busca do sonho americano para se tornar "na maior celebridade austríaca desde Hitler". Uma vez nos Estados Unidos são criadas situações de total absurdo com apenas um objectivo: provocação. Desta vez, os visados não são apenas os americanos, mas também todas as figuras da indústria da moda e, em particular, a comunidade gay. Apesar de toda a controvérsia, Baron Cohen defende que esta é a maior sátira de sempre à homofobia, sendo também uma análise ao que é pertencer a uma minoria na América de hoje.PÚBLICO
"Brüno" é um filme explícito e a sua estrutura é a repetição: muda o quarto, não saímos do sexo. O que, como num porno, é uma experiência de tolerância limitada. Mas é de admirar a ferocidade de Sacha Baron Cohen.
É explícito, sim, ao colocar a nu os preconceitos homofóbicos onde menos se espera (seria interessante investigar as mossas que as discussões sobre o filme têm causado entre heteros bem pensantes). Hard core?! Hard core é a rejeição liminar das dádivas de sangue de quem se assume como homossexual. Acho que o filme tem tudo a ver com o que se pode considerar cinema militante por uma causa, a causa da dignidade do ser humano. Sim, exactamente o direito de cada um ser o que entende (quando é que o comportamento sexual de cada um será entendido como um direito de cada um, ao invés da designação de "minoria" disto e daquilo?).
Um filme provocador, que peca mais por defeito do que por excesso.