Numa viagem de comboio para o Algarve, Macário conta as atribulações da sua vida amorosa a uma desconhecida. Mal entra para o seu primeiro emprego, um cargo de contabilista num armazém lisboeta do seu tio Francisco, apaixona-se perdidamente pela rapariga loira que vive na casa do outro lado da rua, Luísa Vilaça.
Conhece-a e quer de imediato casar com ela. Mas o tio não está de acordo, despede-o e expulsa-o de casa. Macário parte para Cabo Verde, onde enriquece, e, quando consegue finalmente a aprovação do tio para casar com a sua amada, descobre então a "singularidade" do carácter da noiva.
Realizado por Manoel de Oliveira, "Singularidades de uma Rapariga Loira" é inspirado num conto de Eça de Queirós.PÚBLICO
Um filme sobre a dificuldade de trabalhar, de ganhar dinheiro, de ter dinheiro. Sobre o que fazer com o dinheiro que se tem, e sobretudo com o que se não tem. Sobre uma "moral materialista", sobre o trabalho e a cleptomania, a honradez e o arrivismo.
O filme está mal conseguido por duas razões.
A primeira (e principal) é por pegarem um romance que na mente de Eça de Queirós supostamente acontece no início do século 20 e fazê-lo acontecer no tempo actual, sem existir qualquer tipo de adaptação. As cenas, as atitudes das personagens, o tratamento que existia entre as pessoas estão desenquadrados com a época. A meu ver foi preguiça do realizador recriar o cenário antigo. Sem querer criticar Eça, autor que eu admiro, a segunda razão que enumero é o facto do encadeamento das cenas ter algumas falhas de lógica. Embora a ideia da história tenha piada, as passagens acabam por desconsolar quem está à espera de outro tipo de desenvolvimento (mas...