São Paulo, 20 milhões de habitantes, uma das cidades mais populosas e caóticas do mundo. Quatro irmãos tentam encontrar um caminho para as suas vidas. Reginaldo, o mais novo, procura obstinadamente o pai. Dário sonha com uma carreira de futebolista, mas já tem 18 anos e por isso poucas ou mesmo nenhumas oportunidades. Dinho refugia-se na religião. E Denis, o mais velho, já tem um filho e enfrenta uma vida difícil.
A mãe, Cleusa, que criou sozinha os quatro filhos, todos de pais diferentes, está grávida mais uma vez. É a imagem de um Brasil em estado de urgência e em crise de identidade, onde todos procuram uma saída.PUBLICO
É um facto. Não parece haver nos últimos anos forma de o cinema brasileiro se exportar, pelo menos desde o boom “Cidade de Deus”, senão através da exploração do seu mundo de pobreza abissal, em que as suas histórias, os seus actores, mascaram um “charmoso” statement terceiro-mundista. Ora, essa obsessão não é inédita, nem necessariamente empobrecedora. Cinematografias há que, lidando com o trauma histórico ficcionazável (veja-se muito do recente cinema palestiniano e mesmo israelita), dele se souberam libertar, politicizando sempre, mas com o cuidado de evitar os sublinhados panfletários e a desambiguação. Infelizmente, não se passa o mesmo com o Brasil. O seu cinema mais recente tem conquistado...