Esta é a história de Emília de Sousa, a maior actriz que o teatro português conheceu nos finais do séc. XIX, que abandonou por uns anos a carreira para se casar com o rico madeirense Gaspar de Barros e transformar-se na baronesa Madalena do Mar. Tão bela quanto Sissi, a imperatriz da Áustria, com quem conviveu no Inverno de 1860/61, decidiu construir um mistério que perdurou por quatro gerações e por mais de um século.
Ana Moreira, a protagonista, interpreta Sissi e as mulheres das quatro gerações da família: Rosalina/Emília, Águeda e Rosamund. Realizado por João Botelho e adaptado do romance homónimo de Agustina Bessa-Luís, o filme retoma um projecto antigo do malogrado realizador José Álvaro Morais (1943-2004).PÚBLICO
Um olhar sobre a mulher que não a transforma em
objecto mas institui-a em sujeito metamorfoseador
- ou seja, Botelho mais próximo de Agustina do que
Oliveira.
Depois de ter visto os diversos filmes de Manoel de Oliveira que "instrumentalizavam" (utilizando o termo de Mário Jorge Torres) os romances de Agustina, fui ver este filme com a ideia que seria mais uma obra complexa, eventualmente difícil de digerir. Sejamos concretos. Esta obra é parecida com "Vale Abraão" de Manoel de Oliveira, e a forma como Manoel de Oliveira pegou no romance homónimo é parecida com a forma como Botelho pegou em "A corte do norte". Mas se a obra de Oliveira é prenhe de discursos e citações agustinianas, com um cuidado menor pelo "ambiente", a obra de Botelho, apesar de possuir também citações e "voz off" da obra de Agustina, é feito essencialmente de ambiente. O filme...