Um dos mais controversos e incómodos realizadores americanos, Oliver Stone, o cineasta de "Platoon - Os Bravos do Pelotão", "JFK", "Nascido a 4 de Julho" ou "World Trade Center", aponta agora a câmara a George W. Bush. Crónica sobre a vida e mandatos do 43º Presidente norte-americano, é uma inquirição ao percurso de um homem que passou do estatuto de alcoólico a líder da mais poderosa potência mundial. O retrato de lutas e triunfos, dos demónios interiores e da fé, das críticas à decisão de invadir o Iraque, tudo sob o olhar de Stone e estreia a tempo de marcar a cena política, nas vésperas das eleições presidenciais norte-americanas.PÚBLICO
A relação do cinema de Oliver Stone com os presidentes americanos - JFK, Nixon e George W. Bush - é curiosa porque através de uma biografia alheia um cineasta faz um pouco da sua biografia.
Para efeitos de identificação pública e familiar, o que distingue o homem que ainda é Presidente dos EUA do seu pai que já foi Presidente dos EUA é uma letrinha apenas: W. Puxando essa letrinha para título do filme, Stone e o argumentista Stanley Weiser são bastante claros: este é um filme sobre um homem que carrega esse W como um peso. O que o move é tentativa de o transformar, fazer com que o W deixe de exprimir uma diferença, de o designar como um "produto" falhado da dinastia Bush, para passar a ser um sinal de pertença. O George Walker Bush de Oliver Stone só quer uma coisa: ser tão digno do apelido como o avô Prescott, como o irmão Jeb (em quem se centravam os planos da família), e sobretudo como o pai George (sem W.). E isto, esta psicanalítica crónica de um complexo de inferioridade desenrolado em seio familiar, é a força e a fraqueza de "W.".
Este filme é literalmente uma seca, o Bush não tem nada na sua vida que justificasse o filme que foi feito em volta dele, não revela nada de novo e parece que estamos a ver notícias, onde os restantes ilustres personagens da vida actual parecem bonecos com uma caracterização excelente mas com uma autonomia na representação muito fraca. Este é dos poucos filmes que não me impediu de sair no intervalo e não voltar.