Baseado no livro de Roberto Saviano e realizado por Matteo Garrone, "Gomorra" foi um dos acontecimentos do último Festival de Cannes, onde conquistou o Prémio Especial do Júri. É um mergulho brutal e violento nos meandros dos círculos infernais da Camorra napolitana, com uma crua e incrível precisão. Poder, dinheiro e sangue são os "valores" com que os habitantes de Nápoles se confrontam diariamente. A única linguagem é a das armas e o sangue o vício maior. Viver uma vida normal não é possível para estes habitantes. Neste cenário de guerra de clãs e tráficos de toda a espécie, cruzam-se cinco histórias em redor das vidas de Toto, Pasquale, Don Ciro e Maria, Franco e Roberto, Marco e Ciro. Uma Camorra ficcionada mas profundamente enraizada na realidade italiana.PÚBLICO
Foi pelo cinema que Matteo Garrone conseguiu entrar em Scampia, o
subúrbio de Nápoles onde filmou "Gomorra", a partir do "best-seller" de Roberto Saviano. Entrou num universo fechado, numa dimensão de guerra quotidiana. A população, fascinada por filmes, tornou-se se personagem da sua própria história. Uma história de mafia.
Todas as personagens em "Gomorra" têm a sua mitologia
pessoal da mafia. Para elas a mafia é um espectáculo, que os seduz pelas suas representações. Cinematográficas, sobretudo.
Como fã assumido de filmes do género, não pude deixar de ficar agradavelmente surpreendido com “Gomorra”. É talvez o primeiro filme sobre a máfia que nos mostra cruamente, sem embelezamentos, sem glorificar e sem romancear à boa maneira de Hollywood. Em Gomorra podemos ver que honra é algo que não existe na Camorra. Ao vermos “Gomorra” temos a certeza de que a acção ficcional se passa da mesma forma no mundo real. A leitura do livro antes de se ver o filme é essencial para melhor compreendermos a película.