Realizado por Ethan Hawke, "O Estado mais Quente" é a história de William, um jovem actor instável que uma noite encontra a bela e talentosa Sara. Apaixonam-se, mas ao amor à primeira vista sucede-se o desespero de uma paixão demasiado intensa. PÚBLICO
É por gostarmos de Ethan Hawke enquanto actor que nos faz confusão vê-lo a "enterrar-se" como
realizador, ainda por cima adaptando o seu próprio romance (que já foi traduzido em português). A história de um aspirante a actor com problemas de infância mal resolvidos que se apaixona
perdidamente por uma aspirante a cantora e entra em ressaca quase psicótica quando ela lhe dá com os
pés, "O Estado Mais Quente" é supostamente uma história de aprendizagem da idade adulta por um daqueles adolescentes desfasados de que o cinema
independente americano tanto gosta. E dizemos "supostamente" porque Hawke fez mal as contas e nunca consegue traduzir em imagens a sensação que o primeiro desgosto de amor parece arrasar-nos; em vez disso, levamos com um chorrilho de lugares-comuns certamente sinceros mas
insuportavelmente indulgentes, indiferentemente filmados, que, mesmo apesar da presença simpática de Catalina Sandino Moreno, nunca nos conseguem
entusiasmar.
Talvez já não sejam assim tão comuns as histórias de "educação sentimental" como a que "O Estado Mais Quente" propõe, e as dores de crescimento da passagem à idade adulta são uma tema tão nobre como qualquer outro. O problema é que estas personagens não são especialmente interessantes, como nem por isso muito estimulante é a forma (os diálogos, apenas e só) escolhida pelo filme para exprimir
as suas angústias.