Estúdios: Shanghai Film Studios China/Hong-Kong, 2006, Cores, 108 min.
argumento
A velha cidade de Fengjie já está submersa, mas o seu novo bairro ainda não foi terminado. Há coisas a salvar e há coisas a deixar para trás...
Han Saming, um mineiro, viaja para Fengjie para tentar encontrar a ex-mulher que não vê há 16 anos. Quando se encontram, nas margens do rio Yangtze, decidem voltar a casar-se. Também Shen Hong, uma enfermeira, viaja para Fengjie à procura do marido que não vê há dois anos. Abraçam-se em frente à barragem das Três Gargantas, mas apesar da dança, decidem separar-se.
Leão de Ouro em Veneza, o filme consagra Jia Zhang-ke como o mais singular e importante realizador chinês da nova geração. Depois de "Plataforma" e "O Mundo", "Still Life - Natureza Morta" filma duas histórias de amor e ruptura, tendo como pano de fundo a polémica construção da barragem das Três Gargantas.
PUBLICO.PT
Jia Zhang-Ke nunca fala de outra coisa que não seja o tempo que passa, as coisas que mudam - mas talvez nunca o tenha feito de maneira tão directa como nesta
"Natureza Morta" que ganhou o Leão de Ouro em Veneza: o pano de fundo é a monumental Barragem das Três Gargantas, cuja construção obrigou à evacuação, demolição e realojamento de uma cidade inteira,
Fengjie, à qual chegam um homem e uma mulher à procura de refazerem a sua vida.
"Still Life", o título internacional do novo filme de Jia Zhang-ke (o original, "Shanxia Haoren", significa algo como "O Bom Povo da Província de Shanxi"), é a expressão inglesa para "natureza morta", que ficou como o título em português. Em
"Dong", o documentário que Jia realizou imediatamente antes deste filme (e que foi exibido no
IndieLisboa), nos mesmos sítios e com a mesma matéria de "Still Life", acompanhava-se um pintor. Um e outro filme formam um díptico sobre o desaparecimento de uma cidade (Fengjie) nas margens do rio Yang-Tze, prestes a ser submergida em consequência da construção da imponente barragem das Três Gargantas. Não é um acaso esta associação à pintura ou a termos pictóricos: "Still Life" é como se Jia, perante o iminente afogamento de uma cidade, se dispusesse a retratá-la repetindo o gesto ao mesmo
tempo sereno e rudimentar mas também angustiadamente (ou convictamente) "pré-fotográfico" com que, noutros séculos, pintores fixaram as paisagens que tinham à frente. Não um "photomaton", antes uma elaboração artesanal que contrapõe a melancolia ao "excesso de real" da fotografia - e isto é pelo
menos o que nos ocorre para explicar a languidez e o torpor, quase sonolentos, frequentemente virando o "real" em "irreal", com que Jia filma a cidade de Fengjie.
Natureza morta, aquilo que resta ou que ficou com as marcas da passagem dos humanos... Este pode ser um dos filmes menos "evidentes" de Jia Zhang-ke (menos do que "Plataforma", por exemplo), mas também por isso, e perdoem-nos a referência, é o seu filme mais
"rosselliniano": prepara de forma silenciosa o caminho para uma revelação.
Não entendo como é poossivel gostar deste filme! Arrastado, desinteressante, sem garra narrativa, fico a duvidar se os criticos que o elogiam de facto o viram...<BR/>Sugiro às "pessoas normais" (ou seja, não criticos de cinema) que concordarem comigo que aqui se manifestem!