"O Paraíso, Agora!", realizado por Hany Abu-Assad, acompanha as últimas horas de dois jovens palestinianos, recrutados para cometerem um atentado suicida em Telavive. Depois da última noite com as famílias, sem se poderem despedir, são levados à fronteira com as bombas atadas à volta do corpo. No entanto, a operação não corre como o esperado e Khaled e Saïd vêem-se confrontados com o seu destino e as suas convicções.
Hany Abu-Assad traça um retrato cru da situação palestiniana num filme que teve como objectivo ouvir as histórias daqueles que já não as podiam contar. O realizador quis perceber o que leva jovens a tornarem-se "kamikazes", o que os conduz à execução de um acto tão extremo. O filme foi rodado quase na totalidade em Nablus, muitas vezes debaixo de tiro, tendo mesmo parte da equipa abandonado a rodagem na sequência da destruição de uma zona próxima das filmagens por um míssil israelita.
Premiado no Festival de Berlim, com os prémios de Melhor Filme Europeu, Amnistia Internacional e Prémio do Público, "O Paraíso, Agora!" ganhou o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro e foi o primeiro filme palestiniano nomeado aos Óscares da Academia de Hollywood. PUBLICO.PT
Uma bomba é uma bomba, uma explosão é uma explosão, uma morte é uma morte. Mas a realidade é muito mais complexa do que parece. Um bombista suicida não tem que encaixar nos estereótipos existentes. É por isso que Said e Khaled, os dois palestinianos dispostos a morrer em "O Paraíso, Agora!", de Hany Abu-Assad, não são estereótipos, são personagens complexas, que têm dúvidas, hesitações, que se enganam, que se atrapalham.
"O Paraíso, Agora!" é um filme de origem palestiniana que inevitavelmente tem atraído atenções um pouco por toda a parte. Não só em festivais (como o de Berlim) mas também junto dos votantes para os principais prémios cinematográficos americanos - "O Paraíso, Agora!" ganhou um Globo de Ouro para melhor filme estrangeiro e foi nomeado para o Óscar da mesma categoria, sempre em representação da Palestina (embora, tecnicamente, seja uma co-produção israelo-franco-germano-holandesa). Evidentemente, como não se imagina que algo tão raro como um filme palestiniano vá perder tempo com histórias da carochinha, também não é difícil imaginar que contexto e que temas subjazem ao filme de Hany Abu-Assad, sendo certo que essa "urgência" temática, aliada à origem, é a razão das atenções suscitadas por "O Paraíso, Agora!".
Excelente. Mostra o outro lado daquilo que a imprensa ocidental trata como a mais suja e monstruosa forma de terrorrismo imotivado. Na realidade � uma consequencia do terrorrismo - bombardeio indiscriminado da popula��o civil - praticado utilizando avi�o ou helic�ptero, sob os �lhos complacentes dos paises que comandam a ONU. � como se um povo inteiro gritasse: se n�o temos avi�es para nos defender, isto �, se n�o temos avi�es para carregar as bombas, vamos carrega-las no nosso corpo. Tudo que o filme mostra � fruto de d�cadas de ocupa��o militar opressora e humilhante. Vemos que quarenta anos de sofrimento e mortes quase que di�rias, por bombas sofisticadas...