Wilbur não consegue encontrar razões para viver. Quer matar-se, mas ainda não conseguiu. Já o irmão é completamente o contrário. Harbour é um optimista incurável e conseguir que Wilbur seja feliz é o seu grande objectivo. Estes dois irmãos excêntricos, na casa dos 30, vivem em Glasgow, onde herdaram do pai, recém-falecido, uma livraria. Depois de mais uma tentativa de suicídio falhada, Harbour convence Wilbur a mudar-se para o seu apartamento, por cima da livraria. Harbour acredita que talvez uma namorada possa ajudar a levantar a moral de Wilbur. A ideia é apoiada pelo psicólogo do hospital, Horst, e encorajada pela enfermeira, Moira, que tem esperança de ser a feliz contemplada. No entanto, os planos deles não correm como previsto e é Harbour que acaba por encontrar o amor na bela e tímida Alice, uma mãe solteira, que trabalha à noite nas limpezas do hospital e que vai à livraria vender os livros que os doentes vão deixando para trás. Alice e a filha Mary acabam por mudar-se para a casa de Harbour e Wilbur. Alice acaba por conseguir vencer a sua timidez, Mary encontra uma família e Wilbur começa a encontrar algum significado na sua vida. E apesar de Harbour nunca ter sido tão feliz, ele esconde um obscuro segredo, que não pode ocultar para sempre...
PUBLICO.PT
A dinamarquesa Lone Scherfig foi a realizadora de "Italiano Para Principiantes", um dos filmes "Dogma 95" que mais sucesso internacional obteve. O facto de ser uma comédia, bastante mais "uplifting" do que a norma do "Dogma" e muito menos neurótica do que costuma ser o temperamento cinematográfico dos países nórdicos, ajudou bastante. "Wilbur Quer Matar-se", realizado em 2002, foi o filme seguinte de Scherfig. Configura uma ligeira alteração de cenário: o norte sim, mas agora na Grã-Bretanha, numa cidade escocesa, previsivelmente brumosa e cinzenta.
Acabo de comentar "A Minha Vida Sem Mim" e o início do comentário aplica-se também a "Wilbur...". Este filme é um poema. E, tal como no caso da literatura, onde o público prefere o romance (bem explicadinho) ao poema (a interpretar e decifrar) também no cinema se prefere uma história leve (muitas vezes idiota, ou sem nada de novo) a outra que nos faça pensar no sentido da vida. Esta realizadora, depois do fabuloso "Italiano para Principiantes" traz-nos esta pérola de cinema. As considerações críticas ou paracríticas cinéfilas que se possam tecer nada têm a ver com o que o filme pode fazer sentir; pois, para mim, em Arte ou se sente ou não se sente. E depois, como dizia Truffaut, de algum modo...