Estúdios: DreamWorks SKG, Pacific Data Images EUA, 2004, Cores, 105 min.
Recomendado
pelo Cinecartaz
argumento
Quando Shrek, o ogre verde, e a sua princesa Fiona regressam da lua-de-mel, são convidados pelos pais de Fiona, a rainha Lillian e o rei Harold, para irem até ao reino do Far Far Away (uma espécie de Hollywood, em versão conto de fadas). Na companhia do Burro, Shrek e Fiona põe-se a caminho de uma nova aventura, que mete também o Gato das Botas, todas as complicações familiares (ai, os pais da noiva!), uma Fada Madrinha e um Príncipe Encantado. PUBLICO.PT
"Shrek 2" padece do mesmo síndroma que a Bruxa Má, esse auto-fascínio com o reflexo da própria imagem, pelo que é uma versão reciclada do filme original (uma sequela é uma sequela) um pouco "over the top". O que antes era uma fábula enjeitada, parodiando os contos de fadas, é agora um filme auto-reflexivo sobre Hollywood (o letreiro nas colinas de Far, Far Away parece-se tanto, mas tanto, com Hollywood, a recepção no castelo real parece-se tanto com os Óscares, e assim por diante), caução mais estafada do que irónica do cinema americano enquanto "máquina de sonhos". O que era um filme de animação para crianças (e adultos) virou filme só para adultos, o que significa que se perdeu alguma coisa. Não deixa de ser um pequeno divertimento, mas nem o gato ambíguo (tão ambíguo que o volte-face pedia maior consistência) de Banderas nem o burro falante de Eddie Murphy (nosso "personal favorite") conseguem iludir a ligeira decepção (amorosa) que é "Shrek 2". Estão todos demasiado preocupados em agradar.
Um dos segredos de "Shrek" residia no facto de não ser um filme exclusivamente apontado ao universo dos espectadores infantis. Piadas em segundo grau, citações, referências, piscadelas de olho - tudo isto abundava em "Shrek", assim como a sua própria estrutura narrativa assentava (por exemplo na construção das personagens) numa espécie de releitura de arquétipos e estereótipos oriundos das mais clássicas tradições da fábula e do conto popular. Havia um filme para os miúdos, coisa muito directa e muito imediata, mas também havia um filme para os mais crescidos, que se podiam divertir na contemplação de todo esse trabalho de "desconstrução" e bem disposta "subversão".