"O Empreende-dor"
Cláudio Azevedo
<p>Esqueçam o Michael Myers, o Freddy Krueger, o Chucky, a Carrie... Eis Lou Bloom - o "Empreende-Dor"! É genial como Dan Gilroy concebe uma nova forma de fazer cinema, o terror-realista. <br />Exceptuando, talvez, o filme de terror hitchcockiano, em tempos, o terror era reduzido à produção de uma imagem-sensação - "Saw" como último grande exemplo -, onde o objetivo seria o maior grau de impacto no público; ou então, era junção entre a imagem-sensação e uma imagem-mistério - "O exorcista" como um bom exemplo; ou ainda. mais recentemente, o aparecimento de uma espécie de imagem caseiro-misteriosa, em filmes como "Projeto Blair Witch", "Paranormal Activity" ou "REC"... Estes últimos podem fazer-nos pensar que existe um realismo inerente e que a eficácia do filme reside exatamente aí; porém, estes filmes servem-se da realidade como aparência, isto é, o tipo de captação de imagem, através da câmara comum, é a máscara que torna eficaz o efeito do filme. </p><p>Em "Nightcrawler" o processo é inverso, a máscara é o típico filme de terror, o cliché da imagem-sensação, o ambiente obscurecido do cenário, a solidão da personagem principal, a sua expressão gélida, tudo isso está ao serviço de uma realidade social bastante concreta e familiar. Já não é a imagem-comum da câmara simples a captar o transcendente, o fantasma, que é usada apenas para maior eficácia do efeito na sensação, mas sim o contrário, a imagem clássica do filme de terror está ao serviço de uma realidade pura e dura, que não é fantasmagórica, mas que nos é bastante próxima. Passamos de uma paradigma voltado para a sensação para um terror inovador, que preserva a imagem-sensação tornando-a, ao mesmo tempo, altamente reflexiva.</p>
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