Cinecartaz

Luís Graça

Quando a razão nos mata e a fé já não nos salva, o que nos resta ?

... Resta-nos a esperança, é a leitura que eu faço, depois de sair da sala de cinema... E confesso que há muito não via um filme que me tirasse o sono. Sou de um geração que foi perdendo sucessivamente a fé, no singular e no plural, as crenças, as referências, os heróis, os mitos, as bíblias, as igrejas, os rituais... E, no entanto, nunca como hoje a ciência ocupou o lugar da transcendência... Mas temos tudo para nos destruirmos enquanto espécie humana... Que planeta vamos deixar aos nossos filhos, netos e bisnetos, se ainda houver lugar para eles ? E será que Deus vai perdoar-nos pela destruição da sua criação ?

A esperança é a filha de ambos, da razão e da fé. Mesmo órfã, é a esperança que nos pode conduzir não ao niilismo mas à redenção, ao amor, à vida, à liberdade, à equidade, à acção colectiva organizada e solidária...

Sociologicamente falando, está ali também muito da América que elegeu Trump... Enormes, a realização e o argumento de Schrader, e a interpretação de Hawke.

Publicada a 17-07-2018 por Luís Graça