Cinecartaz

José Miguel Costa

3 estrelas

No filme "Cabaret Maxime", do Bruno Almeida, qualquer coincidência com a realidade (de outrora) não será mera coincidência, ou não fosse este uma homenagem ao defunto (e saudoso!) espaço de diversão nocturna lisboeta (situado na Praça da Alegria) do qual o próprio realizador era sócio, em conjunto com o Manuel João Vieira dos Ena Pá 2000 (embora em momento algum tal seja referenciado, até porque a acção parece decorrer num tempo indefinido numa decrépita cidade "sem nome" - que reconhecemos ser o very tipical Cais do Sodré - a braços com um processo de gentrificação).

Talvez por ser algo que viveu in loco, "caprichou ao maxime", presenteando-nos com um produto (um quase filme de gangsters de série B - no mínimo) de uma excelência de se lhe tirar a cartola a nível estético, explodindo de burlesco, surrealismo e kitsh por todos os poros (sob os devidos holofotes de cores ultra-berrantes), condimentado por uma hilariante/brilhante banda sonora sem "playbacks" (onde não poderiam faltar - claro!! - Manuel João Vieira e as suas muchachas). No entanto, infelizmente, parece ter esgotado todas as suas energias neste "campo", descurando por completo a narrativa, que poderá caracterizar-se, grosso modo, como "básica" (um quase adereço no meio de tanta pluma e brilhantina).

Questione-se ainda o facto da película ser falada na íntegra em inglês (opção estranha - mesmo tendo o Bruno Almeida uma "costela americana" - se atendermos que está a retratar um universo luso) e utilizar maioritariamente actores estrangeiros (sem qualquer desprimor para os mesmos, que encarnam na perfeição o "espirito da coisa", nomeadamente o John Ventimiglia e o eterno "Sr° Sopranos", Michael Imperioli), à excepção da Ana Padrão (que se transcende).

Publicada a 05-06-2018 por José Miguel Costa