Cinecartaz

José Miguel Costa

2 estrelas

"Submersos", do (outrora grande) Wim Wenders, tenta ser um "3 em 1" (romance, drama e thriller), mas acaba por resultar num indefinido/desequilibrado produto sensaborão ("que não é carne nem peixe"), sem unidade/coesão ao nível do enredo (com vários tempos e ideias paralelas inadequadamente conectadas entre si - dando a sensação da coexistência de múltiplos filmes dentro de um só, com um ténue fio condutor a interligar as suas histórias) e uma insípida intensidade dramática (devido à grande dissonância que se verifica entre os vários arcos narrativos).
Para além disso, tem a pretensão de ser, em simultâneo, (pseudo) lírico e político, no entanto, acaba perdido entre simbolismos, misturando de modo atabalhoado temáticas díspares (como se o recurso a constantes/redundantes flashbaks tudo resolvesse - quando na realidade apenas descamba numa espécie de estrutura circular que retorna indefinidamente ao "mesmo", sem se vislumbrar um verdadeiro "princípio, meio e fim").

Salvam-se as interpretações do (cada vez melhor) James McAvoy e da (sempre bonita) Alicia Vikander (embora esta lá para o final não passe de um "zombie amorfo") que dão corpo ao argumento (que basicamente se resume a um quase clichê de "once up on a time uma cientista e um espião conheceram-se num luxuoso hotel rural, no qual tiveram um tórrido romance durante 4 dias, findo os quais foram às suas vidinhas, e - porque o destino é carrasco - alegadamente nunca mais se viram, apesar de ficarem apanhadinhos um pelo outro para todo o sempre"), bem como a excelente fotografia (que vampiriza - melancólicas - paisagens naturais da Europa do Norte de cortar a respiração).

Publicada a 28-05-2018 por José Miguel Costa