Cinecartaz

JOSÉ MIGUEL COSTA

3 estrelas

"Lady Bird", a primeira obra enquanto realizadora da actriz e argumentista do circuito indie Greta Gerwig, apesar de todo o alarido em seu redor, não passa de uma comédia dramática agridoce sem qualquer inovação em relação ao universo cinematográfico juvenil, sobejamente retratado/explorado, no qual se insere esta história "feel good" sobre as tradicionais (pseudo) problemáticas e desventuras dos petizes ainda sem identidade definida na "fase das hormonas aos saltos" (no caso concreto, uma miúda irreverente q.b., proveniente de uma banal família de classe média baixa americana, que pretende "transpor a(s) fronteira(s)" do provinciano Sacramento e "ir conhecer novos mundos").

Pese o enfoque na típica narrativa "comming of a age", não é um filme a ignorar (pelo contrário), na medida em que este é detentor de características (por vezes, subtis) que o diferenciam dos clichés dos demais, nomeadamente, no que concerne à sua simplicidade/honestidade; no inteligente equilíbrio entre as cenas de humor ácido e contido (que chegam a roçar o burlesco) sobre os "absurdos da vida" e os momentos mais dramáticos (não poucas vezes, irónicos); a genialidade de alguns (curtos) trechos do argumento (pelo que atrevo-me a verbalizar que se trata de "UM GRANDE FILME DE PEQUENOS MOMENTOS" - sendo a cena de abertura disso exemplo); a fluidez dos acontecimentos (reforçada por uma eficaz edição); a genuidade emocional; a atenção dada aos "pormenores". E claro, "a cereja no topo do bolo", a naturalidade e a espontaneidade "desmedida" da estonteante Saoirse Ronan (um nome com muito futuro!!!).

Publicada a 11-03-2018 por JOSÉ MIGUEL COSTA