Cinecartaz

Fernando Oliveira

Desconcertante

É um filme bastante desconcertante, e é nesse desconcerto que ganha algum interesse.
É verdade que a história é previsível, muitas vezes até forçada, excessivamente sublinhada; os personagens serão pouco emocionantes; e algumas vezes confunde sem ser pela estranheza ou ambiguidade do que é contado.
É também notável que Francis Lawrence não tenha “unhas para tocar esta guitarra”, teria de ser um realizador bastante mais inteligente para conseguir dar a volta a este argumento.
Posto isto, teremos de elogiar a “sujidade” que o filme é capaz de mostrar: a brutalidade das lutas corpo a corpo, a violência “fria” do sexo e da sedução “mecanizada”; e a encenação daquela Rússia que parece tão anos 70, mas que pressentimos tão actual. Porque este excesso torna o filme tão cruel, tão anormal, que acaba por nos perturbar; e, isto, é uma das coisas boas que qualquer filme nos deve fazer sentir.
E depois há os actores: Jeremy Irons, Charlotte Rampling ou Mathias Schoenaerts são sempre bons mesmo quando interpretam personagens desenhadas a régua e esquadro; mas é a Jennifer Lawrence que devemos todos os elogios – é uma actriz extraordinária que tem sabido conciliar personagens em filmes feitos apenas para entreter com personagens exigentes e, acima de tudo, corajosas na escolha.
Por tudo isto, “Red Sparrow”, acaba por ser um filme interessante.
(em “oceuoinfernoeodesejo.blogspot.pt”)

Publicada a 01-04-2018 por Fernando Oliveira