Cinecartaz

Carla de Menezes

Já não se deviam fazer filmes destes...

Scott Cooper terá tido boas intenções mas já não se deviam fazer filmes assim... compreende-se que a intenção será mostrar que o bem e o mal são conceitos que todos abarcamos no nosso intímo e que vamos colocando ao serviço dos nossos dias consoante os contextos e vivendo razoavelmente com as duas faces da lua, mas não consegue esse equilíbrio suposto. Ou melhor, sai-se do filme um pouco confuso, porque há sinais contraditórios sobre a intenção: é mostrar que pela convivência se diluem as diferenças culturais? É mostrar que pelo cumprimento de ordens transformamos os nossos conceitos morais? É mostrar que todos temos bondade e maldade q.b.? Enfim, se parece que a ideia principal será a de mostrar tudo isso, nenhuma é seguramente bem alicerçada já que cai no erro inconsciente (?) de sobrepor à etnia índia a do caucasiano branco americano que, apesar de invasor, é capaz de atitudes nobres sobre os seus invadidos mas só se estes aceitarem pacificamente essa vontade e se for para lutarem contra um mal comum. Por outro lado, Christian Bale (irrepreensível no papel) só manifesta verdadeira dor nos momentos em que perde os seus, nunca os outros, apesar de os defender, ficando assim esplamada a superioridade racial e contribuindo para a tal confusão do principio orientador do filme. Por outro lado e mais uma vez, as mulheres surgem como incapazes de se autodeterminarem, só sobrevivendo com a ajuda dos machos e responsáveis pelas atitudes que acalmam a violência masculina, exterior e interior, e tudo isso possível porque a moça é bonita que se farta... se fosse uma banal e real mulher como seria na altura (se semelhante aos homens escolhidos...) o seguimento seria outro certamente. E tudo dado de uma forma tão pouco surpreendente (desde o que vai acontecer na travessia entre os envolvidos como o resultado final afectivo entre os 2 e com a criança que fica órfã...) que aos 20 minutos de película já sabemos toda a história e, até o final que aparenta um possível twist, cai no cliché ...assim como no esquecimento que vai cair este filme medíocre apesar dos actores. Nada surpreende, nada é bem alicerçado, nada é diferente de inúmeros filmes já feitos sobre a temática, nada é de valor exceptuando a actuação do protagonista que, mesmo assim, se sente também ter ficado penosamente perdido no papel. Um pastelão de filme.

Publicada a 25-03-2018 por Carla de Menezes