Cinecartaz

JOSÉ MIGUEL COSTA

3 estrelas

No ano de 2007, aquando da reunião entre o realizador (e argumentista) Paul Thomas Anderson e o actor Daniel Day-Lewis (que apenas filma "quando o rei faz anos"), o mundo da sétima arte deslumbrou-se com a obra-prima daí resultante, "Haverá Sangue". Não será, portanto, de estranhar que a repetição da parceria entre esta dupla em "A Linha Fantasma" (um romance de época "ultra-clássico", que decorre na Inglaterra dos anos 50 e se centra no atípico relacionamento entre um obsessivo e intragável costureiro de alta costura - que vive numa perturbante busca pela beleza sublime -, e uma empregada de mesa que se torna a sua musa inspiradora) tenha gerado expectativas elevadas nos cinéfilos. Todavia, com esta obra não conseguiram alcançar o patamar da que lhe precedeu, apesar das suas inúmeras qualidades.
De facto, é uma obra que transborda elegância (revelando-se pura poesia visual, graças a uma cinematografia de excepção e um guarda roupa requintado), o duelo entre os protagonistas (o Daniel e a desconhecida actriz luxemburguesa Vicky Krieps - que se bate taco a taco com o veterano) deixa-nos quase sem fôlego e a sublime banda sonora (do guitarrista dos Radiohead, Jonny Greenwood) entranha-se-nos por todos os poros. No entanto, tais atributos não se afiguram suficiente para suprir a falta de ritmo de um argumento longo (com sequências desnecessárias e/ou demasiado esmiuçadas) e algo repetitivo.

Resta-nos esperar que o Daniel Day-Lewis não cumpra a sua promessa de abandonar a arte de representar, para que estes dois mestres possam voltar a "confraternizar" e oferecem-nos a ambicionada obra-prima (que, desta vez, ficaram a "dever-nos").

Publicada a 05-02-2018 por JOSÉ MIGUEL COSTA