Cinecartaz

José Miguel Costa

4 estrelas

A (não muito) BELA E O MONSTRO (fofinho) by Guillermo del Toro. O realizador mexicano encanta-nos com esta fábula (para todas as idades, em que torcemos por um pindérico "no final viverão felizes para sempre") de um amor impossível (entre uma solitária empregada de limpeza muda - "a princesa sem voz" - e uma criatura aquática humanóide, prisioneira num complexo de investigação militar do governo americano nos anos sessenta do século XX), ambientada no seu característico universo de realismo fantástico, no filme "A Forma da Água". Esta obra, que poderá ser percepcionada como uma metáfora politico-social (nomeadamente no que concerne à questão do preconceito), apesar de todos os handicaps que lhe possamos apontar (maniqueísmo e "pregos no argumento" - flagrantes mesmo para uma história de fantasia), consegue amolecer o coração mais empedernido, graças à sua irresistível "envolvência" e ingénua sensibilidade romântica da magnética Sally Hawkins (a que também não é alheia a fantástica "fotografia melancólica" estilizada - de paletas esverdeadas e azuis aquáticos-, bem como a "orelhuda" banda sonora). Todavia, confesso que (ainda assim) senti faltar-lhe um qualquer "touche" ... quiçá algo à la Tim Burton

Publicada a 09-02-2018 por José Miguel Costa