Cinecartaz

JOSÉ MIGUEL COSTA

1 estrela

Ridley Scott é (provavelmente) o realizador mais irregular de todo o sempre, conseguindo surpreender-nos com o melhor (e já há muito tempo que não revela essa sua faceta) e o pior (na generalidade dos casos). E, fazendo uma rápida "listagem de memória" dos seus filmes, facilmente depreendemos que as suas obras maiores estão relacionadas com o universo sci-fi (excepto "O Gladiador") e para confirmá-lo basta relembrar o "Blade Runner' e "Alien - O Oitavo Passageiro". Deste modo, porque motivo continua a insistir noutros registos cinematográficos?! Ok, é verdade que as suas recentes tentativas dentro deste género ("Perdido em Marte" e "Prometheus") também não saíram de feição, mas não deixam de estar muitos "furos acima" do sofrível "Todo o Dinheiro do Mundo" (essa espécie de manta de retalhos, consequência de um descontrole narrativo e de um deficiente trabalho de edição, que não conseguiu unir com êxito o mix de drama familiar, triller de acção, suspense e biografia - pelo que parecem existir vários filmes, que não comunicam entre si, dentro de um só).
Nem o "filmar bonitinho" consegue disfarçar o facto de estarmos perante um produto desconexo, artificial e pouco convincente (algo tão mais grave se considerarmos tratar-se de uma história baseada em factos verídicos - sobre as peripécias em torno do rapto, ocorrido em 1973, do jovem neto do homem mais rico do mundo).

Poder-se-ia alegar em sua defesa que a película, após encontrar-se concluída, teve que ser novamente filmada e refeita ao nível da sua estrutura (num curtíssimo período de nove dias), devido à absurda decisão de apagar o Kevin Spacey de todas as cenas (motivo pelo qual este filme menor acabará, inadvertidamente, por não cair no esquecimento nos anos vindouros). No entanto, esse argumento cai por terra se considerarmos que um dos (pouquíssimos) aspectos positivos desta obra reside na performance do actor que o substituiu, Christopher Plummer (que, inclusive, foi nomeado para um óscar na categoria de melhor actor secundário - possivelmente, só para chatear ainda mais o Spacey e, em simultâneo, agradar aos sensores do movimento #Metoo).

Publicada a 13-02-2018 por JOSÉ MIGUEL COSTA