Cinecartaz

José Miguel Costa

2 estrelas

O novo filme de Spielberg, "The Post", um clássico triller jornalístico (de época) baseado numa história verídica (e consequentemente com "o seu quê" de documental), tem todos os ingredientes deste género cinematográfico inseridos de forma "certinha" (demais).
Centra o seu acto narrativo nos primórdios da crise política da presidência de Nixon, provocada pela publicação nos jornais de documentos governamentais ultra-secretos que expuseram perante o povo americano as cúpulas do poder que incitaram a guerra do Vietname, mesmo sabendo de antemão não passar de uma batalha perdida, tendo por base critérios obscuros.

Falta-lhe uma verdadeira tensão e suspense (ficando sempre a "meio-gás" - e estou a ser simpático!), o que poderá explicar-se, em parte, pelas frequentes quebras de ritmo (o pressuposto "crescendo dramático" encontra-se quase ausente) e por ser tudo "trocadinho por miúdos", não dando asas à nossa imaginação no que concerne, por ex., a conspirações ocultas (para já não mencionar o canastrão do Tom Hanks, o - pseudo - herói que não imprime veracidade ao enredo - já de si demasiado linear e positivo).
Escapa-se a Meryl Streep (pela qual nutro uma infundada embirrancia), possivelmente, o único aspecto positivo desta película (pelo que se não fosse a sua santíssima trindade hollywoodesca nem sequer teria impacto mediático) . É certo que também não posso desvalorizar o estarmos perante uma obra quase panfletária, que utiliza um caso do passado para indirectamente criticar o presente, mais concretamente as tentativas de pressão do Trump sobre a "imprensa independente" (e isso por si só é obra!), todavia, não se afigura suficiente para considerá-la pouco mais que um produto de "série B".

Publicada a 02-02-2018 por José Miguel Costa