Cinecartaz

Pedro

It all comes to whether you love or not...

O filme tem a duração de duas horas e treze minutos, não me pesaria se se prolongasse por três horas.

Poderá não ser uma obra-prima, tem uma realização "marcadinha" previsível (muito presente o traço do james ivory de série televisiva inglesa) e um lado "bonitinho alta burguesia" nos cenários (demasiado "tudo no sítio") um pouco desnecessário (como se só "ali", numa qualquer elite, algo de tão universal e transversal pudesse ser vivido...) mas o miúdo é um excelente/promissor actor e o (algo) "canastrão" (por inerência da própria personagem) com quem ele contracena parece-me fazer sentido ali, "desenrasca-se bem"!

As cenas entre os dois são bonitas, subtis e até invulgares no "cinema gay", a personagem do pai um pouco "pedagógica" de mais (ao ponto do inverosímil) mas tem um diálogo com o filho que, ainda que enfermando desse mal, não deixa de ser um recado/confissão à geração (e à pessoa) dele próprio.

O filme parece-me ter qualquer coisa de "feito de - e por - homens para homens" (no bom sentido que a expressão também pode ter, sem de todo se tornar misógino ou exclusivo) e passa-se numa época em que ainda mal espreitava o fantasma do HIV e em que os "closet times" eram (ainda) mais apertados (do que continuam a ser...) o que lhe confere uma "inocência" enternecedora e cativante...

Publicada a 22-01-2018 por Pedro