Cinecartaz

José Miguel Costa

4 estrelas

"Chama-me Pelo Teu Nome", do italiano Luca Guadagnino, possui a estrutura clássica do banal "coming of a age movie" numa qualquer paisagem idílica (neste caso concreto na Itália rural) com a variante de incidir sobre um efémero amor de verão gay (ocorrido em 1983, entre um erudito adolescente de origem judia - que se encontra de férias com os intelectuais e liberais pais na sua casa de férias campestre - e um jovem adulto americano com cerca de 25 anos, que vem passar a época estival consigo). No entanto, destaca-se das restantes películas desta natureza (e de que maneira!) pela inteligente simplicidade (quase lírica) e romantismo sensual da sua narrativa (fugindo, igualmente, do espectro das costumeiras histórias melodramáticas associadas às relações entre pessoas do mesmo sexo, impregnadas de tabus, preconceitos e sofrimentos de índole sexual). Tudo é encarado com naturalidade, preferindo o realizador exibir esta ligação "apenas" como uma legítima história de amor universal isenta de questionamentos por parte daqueles que os rodeiam, não necessitando, deste modo, de veicular quaisquer mensagens de cariz educativo e/ou panfletário.

Apesar destas virtudes narrativas (e da apelativa elegância das filmagens em película de 35 mm e de alguns magníficos planos sequência), a obra em causa, com toda a certeza, não teria o mesmo impacto se não contasse com a arrebatadora performance do menino-homem (de quem muito iremos ouvir falar no futuro) Timothée Chamalet (god ... que "química" que emana)!

São, ainda, de salientar (sobretudo) duas cenas que - aposto - ficarão na História da sétima arte, uma exótica cena de sexo com um pêssego e o plano sequência final (de cortar a respiração!).

Publicada a 23-01-2018 por José Miguel Costa