Cinecartaz

JOSÉ MIGUEL COSTA

3 estrelas

Roman Polanski (um dos meus velhos realizadores de culto), depois de ter-nos brindado com três grandes filmes consecutivos ("O Escritor Fantasma" - 2010 -, "O Deus da Carnificina" - 2011 - e "Vénus de Vison" - 2013), regressa com "A Partir de Uma História Verdadeira" (cujo argumento foi escrito em colaboração com o realizador Olivier Assayas), um thriller psicológico tipicamente polanskiano (mas definitivamente "menor" quando comparado com o seu restante "universo").
Claro que não deixa de ser uma obra competente (o menos bom deste octagenário jamais será mau), elegante e dotada de uma narrativa inteligente que volta a remexer em temáticas relacionadas com a criação/autoria e consequentes conflitos internos dos seus autores e personagens (e de igual modo, como sempre, continua a não dar-nos "certezas", "só" pistas e jogos de espelhos para desmontarmos). Todavia, estranhamente, acaba por "falhar" naquilo que Ele, por norma, domina com mestria, o suspense/"distorções das personagens" .
De facto, apesar de até possuir um início fulguroso e enigmático (muito graças à divinal "femme fatalle", Eva Green - que interpreta o papel de uma alegada escritora-fantasma que, de um modo ardiloso, vai gradualmente usurpando a vida e a identidade de uma escritora de sucesso psicologicamente frágil, com o objetivo de condicioná-la a escrever um livro autobiográfico), a emoção e a capacidade de inquietar-nos vai-se esvaindo com o decorrer do tempo, tornando-se, inclusive, a partir de determinado momento, algo previsível e (blasfémia!) quase monótono.

Publicada a 26-12-2017 por JOSÉ MIGUEL COSTA