Cinecartaz

Luis Bernardino

Um pequeno gigante filme

 

Um pequeno gigante filme
“Roda Gigante” (The Wonder Wheel, no original) é o mais recente filme de Woody Allen, em exibição nos cinemas. A Roda Gigante, que o realizador apresenta, nomeadamente no início e no fim do filme, não é mais que uma metáfora da vida, c/ os seus altos e baixos, as suas alegrias e tristezas, em síntese, a vida real de gente comum… O filme situa-se numa época bem precisa, a dos anos cinquenta do século passado), e num território também preciso: o parque de diversões de Coney Island. A personagem central é uma empregada de mesa Giny (soberba interpretação de Kate Winslet), na idade madura e que em tempos foi uma prometedora actriz (de acordo com as suas palavras), com todos os seus sonhos e realizações, e que actualmente leva uma existência frustrante e desinteressante, no seio de uma família, constituída pelo seu segundo marido (os seus maiores prazeres são ir à pesca com os amigos e beber uns copos…), a enteada (casada em tempos com um gangster) catacterizada, apesar de tudo, por uma total inocência e um filho do seu primeiro casamento, (“caso perdido”) na idade da pré-adolescência, fascinado por cinema, e nos “tempos livres” pelas suas actividades pirómanas, acabando inclusive por pegar fogo á sala de espera do consultório da psiquiatra onde andava em tratamento… É neste ambiente frustrante, que Giny se envolve com um jovem nadador-salvador, aspirante a dramaturgo…
  
Esta é a base de uma tragédia romântica típica dos melodramas clássicos (e.g. Tennessee Williams), caracterizados por grandes tensões familiares, a que não são alheias, dificuldades financeiras, situações de adultério não completamente assumidas, e em que se culpam os outros pelas nossos falhanços e pelos sonhos que não conseguimos concretizar!
Em síntese, trata-se de um pequeno (em termos de orçamento) filme, mas fascinante pelas diferentes dimensões a que nos transporta.
A minha sugestão é a de que não dêem atenção aos chamados críticos “main stream” e que vejam o filme de “olhos bem abertos”. Trata-se pois de um filme comovente, terno, apelando aos sentimentos das pessoas. É assim o brilho fugaz de gente real como o leitor ou como eu, duma forma interessante e despretensiosa, apelando aos sentimentos
Uma excelente representação, feita em ambiente teatral, associada a uma excelente fotografia, em que as alterações de cor e luz se encontram intimamente ligados aos sentimentos dos personagens.
Finalmente mas não menos importante, neste filme não existem bons e maus, mas sim gente real com todos os seus problemas, dilemas, constrangimentos e arrependimentos.


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Publicada a 01-01-2018 por Luis Bernardino