Cinecartaz

JOSÉ MIGUEL COSTA

5 estrelas

Lucky, um filme dramático (convenientemente definido, algures, como um western zen), que marca a estreia na realização (uauu!!!) do actor John Carrol Lynch, sobre as banais rotinas diárias de um excêntrico cowboy nonagenário solitário ("solitário mas não só", como o próprio faz questão de frisar - afinal, apesar do seu feitio peculiar, é apaparicado por toda a comunidade de uma pequena vila semi-desértica do Texas profundo), protagonizado pelo, entretanto falecido, Harry Dean Stanton (em cujas histórias de vida a - também estreante - dupla de argumentistas se inspirou).

Um tratado sublime sobre a inevitabilidade da mortalidade (que acaba por transformar-se numa quase ode à vida), sem qualquer espécie de dramatismos (inclusive, os sorrisos nunca deixam de marcar presença - o próprio refere "há que sorrir perante a iminência da morte") e/ou teorizações (aliás, o charme que transborda advém do seu minimalismo e da paciência dada aos pequenos gestos e aos magníficos diálogos populares impregnados de inteligentes "nadas", conseguindo, deste modo, captar a poesia e o humanismo electrizante dos "pequenos" momentos).

E, como se tudo isto não fosse suficiente, ainda temos um bónus ... o DAVID LYNCH surge no filme a contracenar com o cowboy viciado em palavras cruzadas.

Publicada a 02-12-2017 por JOSÉ MIGUEL COSTA