Cinecartaz

José Miguel Costa

4 estrelas

O realizador sueco Ruben Ostlund, depois de em 2015 ter deslumbrado com “Força Maior”, regressa em excelente forma com “O Quadrado”, uma hilariante comédia sarcástica e impregnada de humor negro (indutor de uma constante tensão – a tragédia iminente “anda no ar”) que, de uma forma inteligente e, por vezes, non sense, expõe/critica o absurdo inerente ao pretensioso e vácuo mundo da arte contemporânea (“definindo-o” como um quase embuste de/para pseudo-elites intelectuais).
Para o efeito faz-se valer de uma narrativa que acompanha as desventuras do curador de um conceituado museu (interpretado com maestria por Claes Bang) que está a trabalhar na divulgação de uma nova instalação artística (um simples quadrado desenhado no chão, dentro do qual as pessoas deverão ser altruístas).
Com base nesta “simples” premissa brotam uma série de geniais sequências cinematográficas (tanto ao nível do conteúdo como cenicamente), que acabam por estender os tentáculos da sua critica mordaz a outros subtemas, nomeadamente, o preconceito social e racial “politicamente correcto” (gozando o polimento com que os intelectuais liberais tratam as várias minorias – a tal “caridadezinha” dissimulada), os limites da liberdade de expressão e o assédio sexual.

Já diz o ditado popular “quem muitos burros toca, algum há-de deixar para trás”, e é neste aspecto que o Ostlund acaba por escorregar (afastando-se daquilo que poderia ser uma obra-prima), pois ao querer opinar sobre uma série de vertentes, fá-lo sem recurso a uma linha narrativa coesa (e sem um desenvolvimento adequado de todos os pontos que toca). De modo que, em alguns momentos, ficamos com a sensação de estarmos perante cenas que, apesar de brilhantes, soam algo desconexas e sem interligação (como que organizadas aleatoriamente e sem qualquer tipo de diálogo entre si) – facto que acaba por ser mais notório devido à extensão da pelicula, que não teve o bom senso de “terminar em devido tempo".

Publicada a 23-11-2017 por José Miguel Costa