Cinecartaz

JOSÉ MIGUEL COSTA

2 estrelas

Philippe Garrel é um "clássico vivo" do cinema francês, que não precisa provar o que quer que seja a alguém no campo da cinematografia, não havendo cinéfilo que se preze que não lhe reconheça tal estatuto. Assim sendo, podia poupar-se (e poupar-nos) a fazer um determinado filme "só porque sim", como no caso do seu mais recente "O Amante de Um Dia", sem nada de novo e de substantivo para transmitir.
De facto, o minimalismo do enredo e da narrativa desta obra, que (sub)explora as temáticas do ciúme e possessividade, é quase constrangedor. Verdade que por muito pobre que seja ao nível do "conteúdo", acaba por compensar-nos de algum modo com os seus (sempre) belos planos de pessoas (sobretudo dos rostos) e de lugares "sem nada de especial" filmados num soturno preto e branco com a precisão/"poesia" de um artesão, todavia, isso não se constitui como suficiente (afinal, até já conhecemos esta sua mestria técnica).

Posto isto, resta-me revelar que o Garrel exibe-nos extractos da dinâmica relacional entre um homem de meia-idade e duas jovens (a sua namorada - e também aluna - e a filha, ambas com 23 anos) que vivem provisoriamente sob o mesmo tecto, após esta última ter retornado a casa em consequência do término da sua relação amorosa (mas, correndo o risco de ser spoiler - se é que tal conceito pode ser aplicado na ausência de "uma história propriamente dita" -, deixem que vos adverta, não vá dar-se o caso da criação de falsas expectativas perante este apelativo "ponto de partida", de que não existem grandes "desenvolvimentos" ... apenas algumas "tiradas" pseudo-filosóficas).

Publicada a 07-01-2018 por JOSÉ MIGUEL COSTA