Cinecartaz

Francisco Zuzarte

Eu ainda sou…

… do tempo em que os filmes ao James Bond, primeiro com Sean Connery e depois com Roger Moore eram classificados para maiores de 17 anos. Isto antes do 25.04., para utilizar linguagem cinematográfica. Sendo um teenager consciente com mais ou menos 10 anos, ficava roído de inveja porque só podia ver os cartazes com as fotos que o Cine-Teatro Manuel Rodrigues, em Lourenço Marques punha no foyeur fabulosamente gigante e bem decorado. Mas para não me perder, ainda sou do tempo, dizia, em que Sean Connery e Roger Moore, cuja classificação dos filmes passou para maiores de 12 anos depois do 25.04., saíam sempre impecavelmente vestidos e bem penteados, fosse qual fosse a cena de pancadaria. Era por isso o espirito da altura.

"Kingsman" aplica esse princípio na perfeição já que os fatos são do melhor que existe e seja qual for a luta não se alteram. Há por isso que se imbuir no espirito para se ver o filme. Há depois a má da fita que de facto é figura a quem seja qual for o papel que lhe for atribuído sai sempre bem, um naipe de actores onde se inclui Halle Berry com ar intelectual mas muito sexy e até um cantor de piano vermelho que vi uma vez (o piano entende-se) numa visita ao Royal Albert Hall, oferecido por Sir Elton John que, para não deixar os créditos por mão alheias também anda por lá aos pinotes. Há depois o toque maquiavélico da trituradora que devem ter aproveitado numa forma mais terrífica da que vimos em "Fargo" e uma banda sonora que pontua muito bem todo o filme. Posto isto e se quiserem “perder” 141 minutos do vosso tempo, vejam "Kingsman". E não é preciso ir buscar um fato (de vestir) a Saville Road.

Publicada a 29-09-2017 por Francisco Zuzarte