Cinecartaz

JOSÉ MIGUEL COSTA

3 estrelas

A multi-premiada obra de Pedro Pinho, "A Fábrica do Nada", é um exercício cinematográfico híbrido quase inclassificável (que mistura uma mescla de registos, ideias e géneros), uma espécie de docuficção musical surrealista (?!?), que tendo por base a crise económica portuguesa disserta sobre os limites do capitalismo, bem como dos ideais de esquerda que o contestam (recorrendo para o efeito quer ao discurso de senso comum debitado pelos actores e não autores que por lá deambulam, quer à inserção "à papo-seco" no interior da narrativa desconexa de discussões teóricas levadas a cabo por intelectuais versados na matéria).
A história segue a rotina/dramas de um grupo de operários de uma fábrica de elevadores de Póvoa de Santa Iria que tenta segurar os seus postos e impedir a deslocalização da produção da empresa, através de uma solução de autogestão colectiva.

O filme possui momentos hilariantes (de puro delirio), todavia, não se me "entranhou" e, inclusive, nalguns momentos achei-o quase aborrecido (o realizador deveria ter optado por efectuar alguns cortes - as suas 3 horas de duração são excessivas se considerarmos que, sobretudo na sua primeira metade, anda-se a "repisar" o mesmo assunto sem quaisquer evoluções de monta).

Publicada a 22-09-2017 por JOSÉ MIGUEL COSTA