Cinecartaz

José Miguel Costa

3 estrelas

O filme “A Mãe”, uma co-produção entre a Espanha e a Roménia com a colaboração da Alfama Filmes, sob a direcção do espanhol Alberto Martins, é um drama sobre abandono e ausência de afecto maternal que se insere na linha do designado realismo social.
A acção centra-se em exclusivo num adolescente de risco (e acompanhamos a história através da sua perspectiva) sob o qual paira a institucionalização eminente, dado ser filho de uma mãe instável e ausente incapaz de cuidar de si própria (tendo este de tomar as “rédeas da casa”, no tempo que lhe resta entre a frequência da escola e a venda de lenços de papel na rua).

Apesar de ser um filme sincero e sensível, detentor de uma narrativa bem construída (simples e directa), com o qual “queremos simpatizar”, a partir de determinado momento “não sai do mesmo sítio”, faltando-lhe um qualquer rasgo que o faça “explodir” e/ou afastar-se da previsibilidade. E não fosse a excepcional performance do jovem actor (Javier Mendo), portador de um magnetismo incrível (bem captado pela câmara, por vezes frenética, que o segue quase ininterruptamente), a elevar a qualidade da obra, por certo, estaria aqui a queixar-me de uma certa monotonia.

Publicada a 01-09-2017 por José Miguel Costa