Cinecartaz

JOSÉ MIGUEL COSTA

4 estrelas

Taylor Sheridan, o argumentista dos magníficos filmes "Sicário - o Infiltrado" (2015) e "Hell or High Water - Custe o Que Custar" (2016), estreia-se na pele de realizador com "Wind River" (e que belo baptismo!), um desconcertante e atípico triller de investigação criminal com traços de drama.

Mais uma vez, esmiuça a génese dos contemporâneos "colonizadores da América profunda", os tais que votam orgulhosamente no Trump. E se na anterior película expunha a crueldade dura e crua dos residentes do árido Texas rural, desta vez transporta-nos até ao gélido inferno branco do estado do Wyoming (e, de igual modo, como também é seu apanágio, por contraponto aos seus personagens "feios, porcos e maus" deslumbra-nos com a beleza incontestável das suas paisagens - e o trabalho de fotografia, com a aposta em magníficos planos abertos, merece todos os elogios).

A acção (com uma narrativa base bem mais simples que nos filmes antecessores - o que não se revela como um handicap) decorre no seio de uma reserva índia, palco do assassinato de uma jovem indígena, cujo corpo foi encontrado por um solitário e amargurado caçador local (sujeito esse - soberbamente encarnado por Jeremy Renner - que é integrado na investigação levada a cabo por uma inexperiente jovem agente do FBI - Elizabeth Olsen -, devido ao conhecimento que possui do vasto terreno selvagem, bem como pelos seus atributos como batedor e ligação com a comunidade indígena - revelando-se entre ambos uma enigmática química que nos envolve enquanto espectadores).

Realce-se ainda a soturna banda sonora, a cargo de Nick Cave e Warren Ellis, que adensa a atmosfera de melancolia, solidão, desesperança e opressão que caracteriza esta obra.

Publicada a 20-08-2017 por JOSÉ MIGUEL COSTA