Cinecartaz

Nelson

Dor, sofrimento e luto, mas acima de tudo a compaixão e coragem para perdoar

É sempre agradável entrar numa sala de cinema com expetativas elevadas, e mesmo assim reconhecer à saída que foram amplamente ultrapassadas.

Este filme de François Ozon toca a realidade da guerra numa perspetiva muito pouco abordada: o luto e dor dos que ficam e tentam recomeçar a vida. Para os menos familiarizados a história recordo de 1,5 milhões de soldados franceses e mais de 2 milhões de alemães morreram na 1ª Guerra Mundial. Quando no inicio do filme vemos que todas a as famílias enlutadas porque tinham perdido alguém não é nenhum exagero: foi toda uma geração de jovens que morreu ou ficou estropiada. Esta visão de perda coletiva é algo avassalador no filme e sente-se em cada momento.

Neste contexto a visita de Adrien um ex-soldado francês à pequena aldeia alemã onde encontra a viúva de Frantz, de quem diz ter sido um grande amigo antes da guerra parece-nos quase difícil de acreditar. Este filme tem esta grande lição. No meio de tanta perda, será que temos a capacidade de reconhecer que os nossos “inimigos” sofreram tanto como nós? Será que existe lugar para o perdão e compaixão?

No ano em que se comemoram exatamente 100 anos sobre o final da 1ª Guerra Mundial, um filme que é reconciliador para dois dos principais países adversários desta guerra.

Publicada a 20-05-2018 por Nelson