Cinecartaz

José Miguel Costa

4 estrelas

François Ozon não é realizador de ancorar exclusivamente num género cinematográfico, explorando diferentes trajectórias a cada nova obra. Desta feita, com "Frantz" foi ao encontro de um elegante/delicado drama de época romântico (com um toque de "suspense"), num registo mais contido e "formal"/clássico daquele que, por norma, é seu apanágio. No entanto, continua a navegar ao sabor das suas temáticas de sempre (o luto, a culpa, o perdão e a redenção), tendo por base uma emocionante e imprevisível história de amor impossível num contexto de pós-guerra em cada um dos lados da barricada "lambe as respectivas feridas não cicatrizadas".

Ozon recua ao ano de 1919 (ambientando-nos com uma fotografia a preto e branco de uma cativante beleza austera), até uma pequena cidade alemã, para expor-nos perante a angústia de uma família (pais e "nora") dilacerada pela dor, devido à perda do seu ente querido numa batalha em França, que vê a sua rotina alterada pela visita de um amargurado jovem gaulês. E fá-lo recorrendo a uma inteligente (e deliciosa) narrativa (co-escrita por si), impregnada de sugestões e "enganos", que vai sendo habilmente desconstruída e (re)formulada (direccionando-nos subtilmente para "rotas" que revelar-se-ão constantemente ilusórias).

Realce-se ainda a doce e enigmática interpretação de bonita Paula Beer.

Publicada a 15-05-2018 por José Miguel Costa