Cinecartaz

JOSÉ MIGUEL COSTA

2 estrelas

No passado Malick filmava quando o "rei fazia anos", mas a espera pela sua aparição nunca era em vão, pois quase tínhamos a certeza de que dali viria "obra-prima". No entanto, a partir do ano da graça de 2011 começou a lançar filmes com uma períocidade bianual e eis que ... "perdeu-se"?

Tal como afirmei aquando do seu último Cavaleiro de Copas (2015): "MALICK, ONDE ESTÁS TU? (...) Terrence Malick (e custam-me horrores estas palavras) tornou-se uma imitação barata de si próprio, levando aquilo que era absolutamente transcendente e essencial no seu cinema - através da matéria mais concreta da vida - para um nível em que a ligação ao espetador se tornou oca." Este é o lamento da Inês Lourenço, critica do DN, que revela na integra o meu sentimento para com o (ex)génio da 7ª arte, só lhe acrescentaria mais um "suspiro", ou seja, cada vez mais as alucinações malickianas são vãs tentativas de poesia ... sem rima."
Malick tornou-se sobretudo "imagem" (embora o recurso à câmara de mão em agitação contínua já canse) em detrimento da narrativa, limitando-se (quase exclusivamente) a sound bites pseudofilosóficos fragmentados (uma mescla de ideias existencialistas subjectivas sem substância e pouco afloradas), debitados sem um objectivo palpável, e com um excessivo recurso a voz off (numa quase cópia dos procedimentos e temáticas dos últimos Malicks).

Música a Música" é uma "história autoral"de (des)amores/crise existênciais, em formato de puzzle (que jamais "encaixa"), e tem por cenário central o Festival de Música South by Southwest, em Austin no Texas. Malick segue os caminhos entrelaçados de dois casais, a aspirante a música Faye (Rooney Mara), o produtor musical Cook (Michael Fassbender) namorado de Faye, BV (Ryan Gosling) outro músico e também namorado de Faye, e a empregada de mesa Rhonda (Natalie Portman) que casa com Cook.
Não deixa de ser frustrante que desperdice este elenco de classe A (reduzindo-os a quase meros adereços bem parecidos), a que ainda se juntaram Cate Blachett, Christian Bale e Benicio Del Toro (estes dois últimos nem sequer participaram, pois ao que parece foram cortados da versão final), bem como os músicos (ou melhor, figurantes) Patti Smith, Iggy Pop ou Lykke Li.

Todavia, tal como também já mencionei no passado, "acredito no Deus Malick, pelo que fico ansiosamente a aguardar pelo seu retorno das cinzas qual fénix renascida (afinal, aquele que realizou A Barreira Invisivel - o melhor filme de guerra de sempre, bem como a genial Árvore da Vida, "não pode ter desaprendido como se faz")." Ou será que como desabafa Inês Lourenço, "já vai sendo altura de aceitar que Terrence Malick não pretende retroceder aos "dias do paraíso" que foi o seu cinema"?

Publicada a 13-05-2017 por JOSÉ MIGUEL COSTA