Cinecartaz

JOSÉ MIGUEL COSTA

3 estrelas

"O Jovem Karl Marx", do haitiano Raoul Peck, é uma biografia de época, em registo de quase telefilme convencional (quer pelo seu alinhamento linear quer pela superficialidade e romantização da abordagem adoptada - o critico Eurico de Barros "define-o", de um modo engraçado, como "marxismo para totós em versão cinematográfica"), que narra a relação de amizade/parceria intelectual entre Karl Marx e Engels durante o período que antecedeu criação da Liga Comunista e a publicação do " Manifesto Comunista" (1843 a 1845).

Independentemente de ser pouco destemido a nível narrativo (faltando-lhe a "garra" que, estranhamente, surge aquando da apresentação dos créditos finais, envolvendo imagens de uma série de eventos políticos do século XX com a música Like a Rolling Stone de Bob Dylan como pano de fundo), não deixa de ser um filme de agradável visionamento, talvez devido ao seu carácter algo didáctico (para "iniciados") e pela linguagem adoptada (ao não intelectualizar não o torna excessivamente "pesado" - ao contrário de outras obras mais pretensiosas que exploram temáticas de gênese politica/filosófica desta natureza). E sobretudo pela forma como o realizador consegue transmitir-nos a química existente entre o Marx e Engels (de indole quase carnal).

Publicada a 25-04-2017 por JOSÉ MIGUEL COSTA