Cinecartaz

JOSÉ MIGUEL COSTA

4 estrelas

Depois do excelente Deadpool, a 20th Century Fox vem reconfirmar, através de Logan, que os filmes de super-heróis podem elevar os seus patamares de qualidade, fugindo das estafadas/desinspiradas narrativas "coloridas"/light e lineares (com os inevitáveis finais felizes dos eternos indestrutiveis) que costumam caracterizar este sub-género cinematográfico , e dotando os seus personagens de densidade dramática (em detrimento do mero heroismo).
E para o efeito, desta vez, surpreendeu-nos com uma cerimónia fúnebre digna de um dos heróis mais queridos dos X-Men (afinal, os invenciveis também têm sentimentos/fraquezas - inclusive, a nível físico - e ... tombam - até o Wolverine), juntando drama e acção (visceral e sanguinária - capaz de provocar inveja no Tarantino) num registo de road movie em ambiente de "western" (com umas pitadas de humor negro). Em suma, uma mescla improvável que resulta num melancólico filme cru e carregado
 de "alma". 


A acção decorre num futuro, quase apocaliptico, não muito distante (ano 2029 - longe dos dias em que ainda existia a escola do Professor Xavier para jovens "sobredotados"), no qual os mutantes estão à beira da extinção (quer por lhes ter sido movida uma caça intensiva por parte dos humanos, quer porque desde há 25 anos, por algum motivo não especificado, deixaram de nascer crianças especiais com o gene X - ou, pelo menos, assim se pensava), e os poucos que ainda resistem vivem na cladestinidade em condições deploráveis.


Tendo este contexto como pano de fundo, iremos seguir a jornada da dupla Professor Xavier (que atingiu os 90 anos e padece de demência, pelo que o seu genial e poderoso cérebro se constitui como um perigo para a humanidade) e Wolverine (decrépito, doente - a perder a capacidade de regeneração celular - e alcoólico, que se esconde sob a capa de um anónimo motorista, que tem por objectivo único - até surgir a jovem Laura - a protecção do seu velho mestre), numa interacção dinâmica e ideossincrática, que nos dará a conhecer uma faceta mais humanizada do indomável e ex-indestrutivel herói (com garras) de aço. E, desta forma, a produção desenvolve uma atípica profundidade neste sub-género ao explorar temáticas como a culpa, ressentimento, dor e conceito familiar.

Publicada a 04-03-2017 por JOSÉ MIGUEL COSTA