Cinecartaz

JOSÉ MIGUEL COSTA

3 estrelas

"Cavalo dinheiro" é um produto cinematográfico sui generis inesquecível ("para o bem e para o mal"), por isso sejam corajosos, e façam o favor de ir vê-lo. Todavia, aconselho-vos a colocarem, logo no inicio do seu visionamento, uns phones nos ouvidos (não os tirem em momento algum) e deixem-se embalar pela vossa música favorita (seleccionem algo de melancólico, preferencialmente). Ahh e não se esqueçam de beber previamente uma café triplo. Isto porque se trata de uma obra dotada de uma beleza plástica quase indiscritível (literalmente de cortar a respiração), mas, em simultâneo, completamente esquizóide em termos narrativos, devido à dicotomia presente/passado e real/imaginário que coexiste e confunde(nos) durante todo o tempo (uma autêntica descida vertiginosa ao inferno que vai na cabeça de Ventura, um cabo-verdiano, chegado a Portugal aquando do 25 de Abril, envelhecido e "doente dos nervos" que, oscilando entre momentos de delírio e razão, nos vai dando conta, de um modo lentoooo, de episódios do seu duro quotidiano como operário e imigrante longe da sua esposa).

Um puzzle quase impossível de montar, capaz de fritar o cérebro à generalidade do comum dos mortais ... digo eu! (e já tive esta mesma percepção em relação ao seu anterior "Juventude em Marcha" - ambos demasiado oníricos, pelo que, definitivamente, prefiro o registo, quase documental, dos seus geniais antecessores, "Ossos" e "O Quarto de Vanda").

Publicada a 09-12-2014 por JOSÉ MIGUEL COSTA