Cinecartaz

jose belicha

Tudo muda e tudo fica na mesma

Infelizmente, já nos habituámos à ideia de que o cinema português não passa de uma colagem de imagens desprovidas de sentido. A ausência da dinâmica e a perpetuação da estática figuram mais uma vez neste exercício de estilo tão enraizado na visão dos realizadores. A história é simples, e de tão simples que é até podia ser bela, no entanto, sobe a um plano estético já gasto pelo tempo, e que nos gasta a paciência. Falta a objectividade da vida quotidiana neste trabalho, o realizador empurra-nos durante duas horas e meia para um beco sem saída. A temática abordada está bem contada, o trabalho dos actores é perfeito, a Vanda representa maravilhosamente a mulher toxicodependente em PSAO, os tempos, a sonolência, a voz, tudo está perfeito.

A realidade dos realojados é mais vasta, é preciso descrevê-la com mais objectividade sem recorrer a eufemismos. Falta ambição neste trabalho, onde a expressão do sofrimento tem um papel determinante e não deve ser esbatida em tons cinzentos que escondem a dor da realidade. Embora seja um trabalho sujo como já foi referido, pode, no entanto, ser tonalizado nos planos com cores mais alegres.

Publicada a 29-11-2006 por jose belicha